Com Selic a 14%, analistas orientam como distribuir a renda fixa entre CDI, prefixados e IPCA+
Mesmo com a redução de 0,25 ponto percentual na Selic definida na reunião de quarta-feira (5) pelo Comitê de Política Monetária (Copom), a taxa básica de juros passou para 14% ao ano, mantendo o momento bastante favorável para a renda fixa. No entanto, embora diferentes tipos de rendimentos continuem atrativos, especialistas ressaltam que a escolha dos papéis exige critério.
Nas análises de agosto publicadas por corretoras e instituições financeiras, a recomendação é avaliar os cenários em que cada classe de ativo se destaca, já que os rumos econômicos ainda carregam indefinições.
Por um lado, a desaceleração inflacionária recente somada ao menor ritmo da atividade econômica reforça a perspectiva de novas quedas da Selic. Por outro, fatores internacionais como os conflitos no Oriente Médio e projeções de um El Niño severo mantêm o ambiente incerto e impedem um recuo acelerado dos juros.
Perfil dos indexadores no cenário atual
- Pós-fixados (CDI): Indicados principalmente para a reserva de emergência e objetivos de curto prazo que demandam alta liquidez. Mesmo com a projeção de que a taxa básica termine o ano em 13,75%, os juros em patamares elevados ainda garantem rentabilidade expressiva a essa categoria.
- Prefixados: Opção ideal para quem prevê novas quedas nos juros a médio prazo, permitindo fixar um rendimento elevado até o vencimento. Especialistas recomendam focar em papéis com prazo de até quatro anos para aproveitar os prêmios atrativos em prazos intermediários sem assumir riscos excessivos.
- Indexados à Inflação (IPCA+): Continuam sendo a escolha principal para investimentos de longo prazo, pois protegem o capital contra a alta dos preços e entregam ganho real expressivo. A preferência das instituições recai sobre prazos médios — em torno de seis anos —, considerados o ponto ideal entre risco e retorno.
Como montar a carteira de acordo com os especialistas
Para construir um portfólio equilibrado, a XP sugere a diversificação entre os três tipos de ativos, ajustando os percentuais conforme a tolerância ao risco de cada pessoa.
Para o perfil conservador, a alocação recomendada em renda fixa soma 90% do total investido:
| Categoria | Percentual na Carteira |
| Pós-fixados (Reserva de emergência) | 20,0% |
| Pós-fixados (Títulos de crédito) | 52,5% |
| Atrelados à inflação (IPCA+) | 12,5% |
| Prefixados | 5,0% |
Os 10% restantes são destinados a outras classes de ativos, como multimercados, fundos listados e investimentos globais (renda fixa e ações).
O relatório destaca que a estratégia não considera apenas o cenário presente, mas sim projeções para um horizonte de aproximadamente cinco anos. Além disso, a orientação geral é focar na qualidade dos emissores e evitar concentrar o patrimônio em poucos papéis.


